sexta-feira, 3 de junho de 2016

Projeto de Leitura do Livro A culpa é das Estrelas




Bom, pessoal, olá!


Passei alguns dias sem escrever, porque minha profissão exige um certo tempo de dedicação, e, corrigir textos é algo que requer bastante atenção, não é mesmo?

Hoje irei falar sobre o meu primeiro projeto de leitura.  Como já expressei aqui, eu me apaixonei por livros aos 11 anos de idade e, desde então, passei a me perguntar  por que as pessoas  ao meu redor não liam. 
 Quando adentrei na sala de aula, meu maior desejo era disseminar o prazer da leitura em todos os meus alunos. No entanto, como estagiária, eu tinha muito o que aprender. 

Em 2014 recebi a minha segunda oitava série - ainda não trabalhávamos com ciclos.  Conheci em um dia e meio a história de Hazel Grace e Augustus Waters, fiquei fascinada com toda a trama, a linguagem fácil e divertida, o tema forte e os personagens românticos me permitiram ter uma  grande ideia: Projeto de Leitura com o Livro A Culpa é das Estrelas. 

Sendo bastante sucinta, mas disposta a dar detalhes a quem se interessar, vou contar minha experiência. 

Como se daria o projeto? Eu teria que comprar 32 livros, pois é, 32, minha turma  contava com esse número de estudantes. Uma garota, relutante, recusou-se a ler e eu respeitei sua decisão, porém os demais dispuseram-se a encarar o desafio da leitura. 

Para  instigar sua curiosidade, eu fiz a sinopse do livro e ainda exibi o trailer do filme afirmando que, terminada a leitura, faríamos uma sessão de cinema e assistiríamos ao filme. 

Todos ficaram muito animados para receber o livro, pois além de ser o primeiro que leriam, estavam encantados com o casal apaixonado. 

Na ocasião da entrega dos livros fizemos alguns registros fotográficos. 


Meus alunos teriam duas semanas  para finalizar a leitura, apesar de nunca terem lido " tantas" páginas, o prazo era curto, visto que estávamos terminando o último semestre. Estou aberta a questionamentos como do tipo " por que não fez isso antes?" ; bom, era o meu segundo ano como professora, eu ainda buscava me encontrar de fato na profissão.  "E os resultados?"- você deve estar se perguntando. 


Foi a experiência mais linda da minha vida! Meus alunos começaram a leitura no dia 05 de dezembro de 2014, eles liam por toda parte, embaixo das árvores antes de entrar na escola, no corredor durante o intervalo, antes de começar a aula... enfim, ele liam, liam e liam...






Discutiam, fervorosamente, as questões referentes ao câncer, ao primeiro encontro e por que o Gus usava aquele cigarro apagado com tanta frequência.

Ao final da primeira semana, a aluna que se recusou a  participar do projeto me procurou e disse que também queria ler. Eu tinha um livro reserva, o  qual já esperava que fosse para ela, então lhe entreguei e ao final de duas semanas nós no reunimos para assistirmos ao filme. Foi muito emocionante, muito choro, muita emoção, inclusive porque estávamos terminando o semestre. 

Para encerrar estudamos o gênero resenha crítica e eles produziram resenhas, biografia com estudos referentes à vida do autor,  relatórios acerca do filme, discutimos questões como a valorização da vida, a agressividade do câncer e, creio que aprendi muito com eles e suas percepções. 

Segue abaixo algumas fotografias desse período tão lindo e marcante para mim. O  mais gostoso de tudo isso foi receber mensagens  deles via Facebook dizendo:

 " Estou lendo o meu segundo livro",  "Graças  a você, professora, estou lendo mais livros". 

Não há dinheiro no universo que pague a satisfação, a sensação de dever cumprido,  alegria de ser lembrado por um aluno. 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Como me apaixonei pela leitura




Era uma manhã, não recordo o dia da semana, eu havia assistido a um desenho animado e por passar muito tempo na frente da TV, minha mãe ficou brava comigo por não ajudá-la nos afazeres domésticos e deu-me uma bronca daquelas.

Eu precisava fazer algo, mas não tinha coragem para nada e também não queria parar de ver os desenhos; logo, me passou pela cabeça a seguinte ideia: Vou limpar à estante, pois assim posso ver TV e trabalhar ao mesmo tempo.

Comecei retirando alguns itens para espanar o pó, fui retirando, retirando, até que abri uma das portas, e lá estava uma quantidade significativa de livros. Como meus irmãos estudavam, boa parte era deles.
Eu, no auge dos meus dez anos, cursando à quinta série, limitava-me a responder os exercícios e fazer os trabalhos solicitados pelos professores. Era uma boa garota, mas a leitura ainda não havia sorrido para mim.

Após eliminar o pó, dediquei-me a limpar os objetos que decoravam à estante e os que ficavam dentro dela.
Foi naquele exato momento que deparei- me com algo inesperado e que me fez voltar no tempo, longos  meses antes.

Enquanto aguardávamos  a chegada do caminhão  pau de arara que nos levaria ao colégio na cidade, pois morávamos na zona rural do município de Caetés; eu e meus irmãos avistamos uma figura simpática, de cabelos tingidos de preto, mas com as sobras brancas, um rosto amigável, com um enorme bigode (também tingido) e um guarda- chuva tão grande que eu o apelidei  de antena parabólica. Aproximou- se  de nós, em especial de mim,  com um sorriso nos lábios, era o meu ex-professor.  

Ele tinha substituído à minha professora na quarta série e para ser bem sincera, eu adorei, porque com ele cantávamos o Hino Nacional todos dias e com ele aprendi a fazer operações com divisão,  coisa que parecia impossível, pois  passei toda a terceira série tentando e não consegui. Mas com aquele senhor cheio de alegria tudo parecia tão fácil, eu amava Matemática (anos depois descobri que fora paixão o meu sentimento da época, pois até o Ensino Médio, Matemática foi a pior disciplina, eu só tirava nota sete, ou no máximo, oito).  Ele me incentivava a fazer tudo e sempre repetia uma frase:  “ QUERO VER VOCÊ NA FACULDADE”.  Eu ficava tão feliz.

Quando chegou perto de nós naquele entardecer, estudávamos à noite, ele dirigiu-se a mim com uma alegria diferente, falou que tinha algo para mim e logo foi mostrando. Eram três livros que ele havia separado, chegaram à escola através de um  projeto chamado   “Literatura em Minha Casa”, trouxe um livro de contos, um de poemas, e  outro, mais espesso, era um romance.  Eu fiquei muito feliz e agradecida, os recebi e guardei junto ao material. Pegamos o caminhão e fomos à cidade.
Ao retornar, à noite, guardei aquele presente na estante e não abri. Não tinha interesse em livros, nunca tinha pensado a respeito deles, ninguém tinha dito para mim que valia a pena ler, que existiam mundos que precisavam ser descobertos por mim.

Naquela manhã, vi aqueles livros e veio à minha mente um flashback, tudo que vivenciei na sala de aula com o meu professor, o dia da entrega dos presentes... Enfim, recordações que me fizeram sentir saudades do tempo com ele. 
Dentre os três livros, um de capa vermelha com título instigante e convidativo me chamou atenção.  Estava escrito em letras chamativas “OS MISERÁVEIS”. Examinei-o cuidadosamente, e pensei: “Que título estranho”,  “Do que estará falando?”
Ao abri-lo eu me perdi... Li uma página, duas, três, quatro e crescia uma vontade de ler mais e mais. Então percebi que levaria mais broncas, por isso decidi guardá-lo para ler mais tarde. Foi o que fiz. Continuei meus afazeres, e  mais tarde, mergulhei no universo de Jean Valjean ( hahaha ) nunca mais parei de ler.

Hoje, meu maior desejo é encontrar aquele professor magnífico, aquele que lembrou de mim,  mesmo não sendo mais sua aluna.
Ele me presenteou e mudou minha vida, eu só queria agradecer e dizer que a primeira pessoa de quem lembrei quando meu nome saiu no listão da faculdade foi o dele. E sua frase nunca me saiu da cabeça.

O gesto daquele professor apaixonante, um senhor de idade avançada e coração de criança,  me fez ser a profissional que sou hoje. Incentivo os meus alunos e lembro  de como ele me incentivava. Faço questão de usar com os meus alunos a mesma frase que ele usava comigo “QUERO VER VOCÊ NA FACULDADE”, quando a utilizo, fecho os olhos e vejo o sorriso do meu professor pronunciando-a para mim. Um sorriso me vem aos lábios e eu percebo que estou no caminho certo.

Comenta aí! Como você se apaixonou pela leitura? Alguém lhe motivou?

A quem interessar possa:



 A ideia de escrever sempre me deixa animada, provavelmente, porque sou das letras. Afinal de contas, cursar Letras e não gostar de escrever,  não me parece muito normal.



Estou trabalhando como professora há três anos.  Nunca foi o meu desejo ministrar aulas, fiz todo o curso de Letras sem me entregar de fato.  No entanto, quando entrei na sala de aula pela primeira vez, percebi que era o meu lugar.

Meus alunos fazem com que  eu valorize a cada dia essa profissão que abracei, o reconhecimento deles, é o meu combustível diário.

Óbvio que ser professor não é uma tarefa fácil, mas, o que é fácil nessa vida? Ser professor exige dedicação expressiva, renúncia a  noites de diversão com os amigos, para corrigir textos, preparar atividades; tudo isso pode parecer maçante, contudo, é agradável, quando se mergulha no trabalho. 



Mergulhar na profissão e fazer tudo com amor, é a receita para o trabalho fluir positivamente.



Neste blog, divulgarei meus projetos e trabalhos realizados pelos meus pupilos. Meu intuito não é apenas registrar para fins de recordação, mas também, claro, espero motivar alguém e trocar experiências com quem se manifestar. 


O que me motiva? 

Eis  a resposta: 






Sejam bem-vindos e boa leitura!